
A história do irmão Pedro
Lembro-me perfeitamente que foi quando o Ayrton Senna morreu; estávamos naquela expectativa, para o translado do seu corpo para o Brasil.
Era membro da nossa Igreja um irmão (permita-me omitir o nome) que é concunhado do Ayrton, logo me ofereceu uma possibilidade de estarmos no velório, conseqüentemente no sepultamento. Fiquei muito alegre com esse convite, separei toda roupa, o terno que ia usar no velório; chegou o dia e eu precisei sair da minha casa por algumas horas, e não veio esta confirmação porque eu estava aguardando um telefonema, ao anoitecer veio em minha casa a irmã Gení, serva de DEUS abençoada e ao orarmos, o SENHOR a usou dizendo: “Meu servo, aonde queres ir não irás, mas aonde pensas não ir, irás”. Eu estava muito triste, passou aquela tarde e aquela noite e eu acompanhava tudo pela televisão, o corpo já estava saindo do velório para o cemitério quando nossa secretária do lar nos deu o recado que no dia anterior a irmã... telefonou para que eu desse o retorno a fim de irmos nesse velório, eu já estava triste e fiquei mais triste ainda, porque perdi esta oportunidade, gostava muito do Ayrton Senna, um grande campeão, mas eu não sabia qual era o plano de DEUS, e DEUS estava nisso; nesse mesmo dia, recebi um telefonema da nossa irmã Diaconisa Adnalva, que o seu irmão Pedro havia morrido na cidade de Paranamirim – RN; de imediato fui à casa de seus pais, que moram aqui em SJC, para levar minha palavra de conforto pela morte do Pedro, lá chegando, encontramos os irmãos e as irmãs reunidos chorando esse lamentável acontecimento, foi quando uma das irmãs (são cinco), falou: “Mãe, a senhora tem que se apressar, o avião já está esperando a senhora.”, o que ela respondeu: “Eu não vou filha, eu não tenho condição de ir.”, e eu naquela situação disse-lhes: “Se vocês quiserem eu vou.”, elas agradeceram a oferta e disserem: “Vai sim Pastor, o senhor faria isso por nós? Então vá logo porque o avião já está esperando.”, minha esposa, Pra. Leonor, olhou pra mim e disse: “Então vamos”, passei em casa rapidamente e coloquei a roupa que eu havia preparado para ir ao velório do Ayrton Senna e fui para o aeroporto aqui em SJC, ali estavam todos, irmãos e irmãs que iriam para a cidade de Natal, e de lá para Paranamirim, o avião que foi pilotado, pelo então capitão aviador, hoje coronel... Entramos na aeronave, oramos e fomos para Natal.
Chegamos em Paranamirim, e já era noite, fomos na casa onde estava sendo velado o corpo do Pedro; agora vamos para sua história.
O Pedro foi um moço crente, era comissário de bordo de uma determinada companhia, casou-se, teve filhos e tudo ia bem, até que de repente começou a ter problemas no casamento e em seguida veio a separação e o divórcio. O Pedro não teve condição emocional para suportar esta condição e jogou-se à bebida tornando-se um alcoólatra e fumante, até então ele era um homem servo de DEUS e membro de uma determinada Igreja Evangélica, ele veio até SJC, eu o conheci e tive várias vezes com ele, oramos juntos e amém. Naquela noite do velório, que ali ficamos até certa hora da madrugada, tive a oportunidade de conhecer outro irmão do Pedro e sua cunhada que estavam distanciados da casa de DEUS, e após aquela conversa retornaram e permanecem firmes na casa do SENHOR. Durante o velório, percebi que havia um clima de indignação, foi quando sua cunhada nos disse o seguinte: “O Pedro era um alcoólatra, todos aqui o conheciam, algumas vezes ele dormia na varanda de casas e as pessoas vinham e o cobriam para passar a noite ali; na noite da sua morte, ele foi até a Igreja Evangélica que ele havia sido membro muitos anos, sentou-se e assistiu ao culto no último banco, e encerrada a reunião, ele não queria ir embora, e o Pastor que era novo naquela região e na Igreja e também não o conhecia, tinha o Pedro simplesmente como um bêbado e pediu que um dos diáconos o tirasse porque precisava fechar o templo, mas um diácono que o conhecia, convence-o a sair para fechar a porta do templo, ele saiu e sentou na base da porta, e os irmãos o deixaram ali e foram embora. Na manhã seguinte, quando a encarregada da limpeza da Igreja chegou, encontrou o Pedro sentado no mesmo lugar e morto, aí rapidamente chamou os familiares e foram tomadas todas as providências para o atestado de óbito e sepultamento. Os familiares do Pedro que ali moravam, bem como os amigos, queriam que o corpo fosse velado ali na Igreja, onde ele nasceu em CRISTO e por muitos anos permaneceu, mas o Pastor não permitiu, logo, criou-se uma situação ruim e de indignação e revolta”.
DEUS me abençoou a ponto de reverter em parte àquela situação, e por volta das 4hs da manhã fomos levados para a casa de um irmão a fim de descansarmos, e o sepultamento aconteceria as 10hs; retornamos àquela casa por volta das 8hs e havia uma grande multidão, e pudemos perceber quanto o Pedro e todos os seus familiares eram bem quistos naquela cidade. Ao iniciarmos a cerimônia, liturgia do funeral, DEUS tratou comigo dizendo: “Não pode ser velado na minha casa, mas está comigo”, de imediato nós não entendemos, mas em seguida voltando para a Palavra de DEUS, entendemos o que JESUS disse em João 10:28 “E Eu vos dou a vida eterna e jamais perecerão eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão... e da mão do meu Pai ninguém pode arrebatar” ...nem o vício, porque seu nome está escrito no Livro da Vida... Após a cerimônia nos dirigimos para o cemitério, uma distância de 2Km, e todos fomos andando, e o caixão com o corpo, sobre um carrinho de quatro rodas usado mais para carregar mercadorias. Quando o corpo estava sendo sepultado, o Espírito Santo me fez lembrar da Palavra que Ele me havia dito pela irmã e Profeta Gení; fiquei agradecido a DEUS que nos leva para onde Ele quer que vamos, e não para onde nós queremos ir.
Existem coisas que DEUS faz que não entendemos, mas cremos.
“As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem;
eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as arrebatará da minha mão.
Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai”.
João 10:27-29
Pr. Odecio